Como eu tomo decisões médicas

Na prática médica responsável, decidir não é um ato automático.
Não se trata de aplicar protocolos de forma mecânica, solicitar exames em sequência ou responder sintomas de maneira imediata.

Decidir exige escuta, análise e tempo clínico.

Minha forma de conduzir cada caso parte de um princípio simples:
o aparelho digestivo funciona como um sistema único, contínuo, da boca ao ânus.

Alterações no esôfago, no estômago ou no intestino raramente são eventos isolados.
Sintomas que se manifestam em um ponto do trato digestivo podem ter origem — ou repercussão — em outro.

Por isso, nenhuma decisão deve ser padronizada quando o corpo e a história são únicos.

Sintomas semelhantes podem ter causas diferentes.
Quadros parecidos podem exigir condutas opostas.
E manifestações digestivas altas e baixas frequentemente fazem parte do mesmo processo fisiopatológico.

Antes de qualquer indicação, a avaliação clínica é sempre o centro do processo.

Não parto de respostas prontas.
Parto da história, do corpo e do contexto de cada paciente, considerando o funcionamento integrado de todo o sistema digestivo — do esôfago ao reto.

Decidir é integrar, não acelerar.

A decisão médica nasce da integração entre:

  • escuta cuidadosa da história clínica,
  • exame físico atento,
  • análise da evolução dos sintomas,
  • impacto funcional e qualidade de vida,
  • e leitura criteriosa dos exames, quando realmente necessários.

Essa integração não acontece em ritmo de urgência artificial.
Ela acontece no tempo clínico adequado.

Investigar não significa pedir mais exames indiscriminadamente.

Exames complementares só fazem sentido quando têm um propósito clínico claro
e potencial real de modificar a conduta.

Parte do meu trabalho é definir:

  • quando aprofundar a investigação,
  • quando acompanhar clinicamente,
  • quando observar a evolução,
  • e quando não intervir.

Evitar excessos diagnósticos também é cuidado.

Nem todo sintoma digestivo exige uma ação imediata.
Nem toda alteração pede correção rápida.
Em muitos casos, o tratamento adequado começa pela compreensão do processo,
pelo ajuste fino da condução
e pelo acompanhamento ao longo do tempo.

A medicina que pratico não se baseia em imposição de condutas.

As decisões são construídas de forma compartilhada, com clareza sobre riscos, benefícios, limites e alternativas possíveis.

Mais do que intervir, meu papel é decidir corretamente,
no momento adequado,
com base em uma avaliação individualizada,
sem atalhos.

Nota institucional

As decisões médicas, indicações de exames e propostas terapêuticas são realizadas exclusivamente em consulta, após avaliação clínica individualizada e conforme critério médico.